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Hipótese de trabalho 1 Year, 8 Months ago
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Apresentei ao IV Congresso APAEF, em 2007, uma comunicação integrada no tema geral Necessidades filosóficas das pessoas. Desde então procuro reflectir um pouco mais sobre esta expressão. Por um lado, sinto que ela faz sentido, por outro, tenho dificuldade em fundamentá-la rigorosamente. Investiguei um pouco e apercebi-me de que a dificuldade está sobretudo na noção de necessidadevisto que não é nem nunca foi alvo de definições consensuais, além de que surge em contextos muito diferentes, no léxico de problemáticas muito distintas. Por exemplo, encontramo-la no plano estritamente biológico para significar algo dissemelhante do que significa no plano sociológico ou psicológico. Muitos autores destas disciplinas passaram a recusar a utilização do termo por o considerarem pouco operativo, o que significa, no fundo, que complica mais do que esclarece. No entanto, qualquer aspirante a filósofo reconhece que há qualquer coisa no modo como encara a vida que, por ser incontornável (indispensável, até), é, de algum modo, tomado como uma necessidade e que, por remeter para um certo tipo de questões e para uma certa forma de as equacionar e lhes tentar dar resposta, legitima o predicado de filosófica
Convido todos os leitores/participantes deste fórum a seguirem um resumo das minhas reflexões em http://viafilosofia.blogspot.com
Cumprimentos,
Filipe M. Menezes
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Re:Hipótese de trabalho 1 Year, 5 Months ago
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Acho importante que não ceda tão facilmente como os seus colegas à dificuldade ou complicação que possa surgir por indicar uma necessidade filosófica inerente a cada pessoa. Talvez não seja num âmbito inicial pertinete introduzir a questão dessa forma a alguém que se dirija a um gabinete de apoio filosófico porquanto pode ser complicado, aí sim de assimilar e acarretar por isso resistências ao método que pretenda empregar para construir e clarificar o problema específico que uma pessoa em concreto possa trazer. A este propósito quero dizer (não ouvi a entrevista toda na Antena 3, com Fernando Alvim, uma senhora que desconheço e Dr. Jorge Dias, que merecia um programa mais respeitador e conhecedor dos temas que se pretendiam abordados) que o papel do aconselhador ético-filosófico perante qualquer indivíduo é em primeira mão de diagnóstico do problema e será em muitas situações de condução a canais próprios, como a psiquiatria, um hospital, um médico, um advogado, ou um procurador, para mencionar alguns tipos de caso que podem surgir.
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FMM (Moderator)
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Re:Hipótese de trabalho 1 Year, 5 Months ago
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Caro Dusicyon
Antes de poder responder mais detalhadamente à sua interpelação, pedir-lhe-ia que especificasse a quais meus colegas se refere no início da sua mensagem.
Não posso deixar de assinalar, no entanto, que tomei como meus eventuais interlocutores, no breve texto que apresentei para lançar o tema neste fórum, profissionais no âmbito das práticas filosóficas, e não consultantes num gabinete de apoio. Ainda assim, não percebi por que razão seria impertinente abordar neste último contexto a ideia de “necessidade filosófica” e os problemas que lhe subjazem: contanto seja do interesse do consultante discutir o tema, não vejo por que não.
Quanto ao último ponto da sua mensagem (sobre o papel do “aconselhador”), pedia-lhe também algum desenvolvimento adicional, para evitar o risco de qualquer interpretação apressada da ideia que pretende transmitir.
Os meus cumprimentos.
Filipe M. Menezes
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Re:Hipótese de trabalho 1 Year, 5 Months ago
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Olá mais uma vez,
Referia-me aqueles entre os quais encontrou opinião de que a noção de necessidade seria difícil de enquadrar. Eu nunca me encontrei nessa posição mas quis incentivá-lo.
Quanto à abordagem para com o cliente, consultante, doente, ou o que ele se quiser chamar, será prudente numa primeira fase que se procure entender se ele se revê numa "necessidade" filosófica mais do que introduzir-lhe a noção a priori.
Quanto à própria visão da filosofia prática e da prática de aconselhamento filosófico, acho que seria útil o mais depressa possível lançarem-se as bases de uma discussão aprofundada sobre quais as direcções a tomar relativamente ao método, objecto, natureza e enquadramento subjectivo. Eu falo por mim exclusivamente quando defendo que um distanciamento do que já foi feito pela filosofia psicológica e/ou psiquiátrica é um erro crasso tendo em conta os exemplos de sucesso por estas ciências apresentados.
E por sedutor que possa ser para um filósofo analisar a psique, não acho que disso se deva tratar.
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Re:Hipótese de trabalho 1 Year, 3 Months ago
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Creio que será discutível se houve , há ou haverá casos de sucesso psiquiátrico, não me refiro a casos que tenham tido resolução psicotrópica em exclusivo.
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FMM (Moderator)
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Re:Hipótese de trabalho 1 Year, 3 Months ago
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Por isso mesmo era importante conseguirmos mobilizar para o nosso debate especialistas de outras áreas. Ora, acontece que o nosso debate é pouco participado e os associados ou amigos da APAEF não se têm mostrado grandemente interessados em conversar neste canal...
Por outro lado, deixámos de ouvir falar da APAEF e há meses que o site está desatualizado sem que ninguém se digne a dar-nos qualquer satisfação.
[Aproveito para esclarecer quem por aqui passe que não pertenço à direcção da APAEF nem tenho qualquer cargo de relevo. Simplesmente me propus dinamizar este fórum e não tenho autoridade nem possibilidade de proceder a qualquer actualização do site.
Algumas pessoas me têm contactado a pedir explicações pelo silêncio da Presidência da APAEF. Apenas posso referir que nada sei - e nem sequer se trata de douta sabedoria, mas simplesmente de um blackout absoluto pelo qual não sou responsável].
Posto isto, caro Dusicyon, é muito louvável o seu esforço para manter viva a ténue chama desta tentativa quase frustrada de formação de uma comunidade de investigação e discussão sobre "filosofia prática".
Mas, no que diz respeito a este seu último contributo, não me atrevo a ir mais longe do que o que comecei por dizer: precisamos de ouvir os especialistas.
Os meus cumprimentos.
Filipe M. Menezes
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