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Perguntas frequentes sobre as consultas de Aconselhamento Filosófico PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por APAEF   
Terça, 16 Setembro 2008 15:44

Por: Filipe M. Menezes

 

1. Quem pode beneficiar do Aconselhamento Filosófico?

 

Em princípio, poderão beneficiar do Aconselhamento Filosófico todas as pessoas que, sendo capazes de pensar racionalmente, desejam recorrer ao pensamento racional para alargarem a sua compreensão de um problema ou questão que as afectam, ou que, simplesmente, desejam conhecer-se melhor a si mesmas.

 

 

2. Que benefícios podem resultar do Aconselhamento Filosófico?

 

Com a ajuda da Filosofia, cada pessoa inicia um processo de auto-conhecimento que pode ser muito útil na maneira como cada um vive a sua vida. Ao longo desse processo, a pessoa é levada a interrogar-se a si mesma, acabando, muitas vezes, por descobrir que algumas das suas certezas e convicções são desadequadas, o que abre caminho a uma procura de verdades “mais verdadeiras”. Pelo reconhecimento das suas próprias fragilidades e erros, a pessoa poderá iniciar uma tentativa de superação dessas fragilidades e erros, o que se poderá traduzir numa melhoria da qualidade das relações que estabelece com os outros e consigo mesma.

 

Esta descoberta de si mesmo traduz-se no reconhecimento de que, ainda que isso não seja consciente, a visão que cada um tem do mundo, dos outros e de si mesmo resulta sempre de uma interpretação da realidade e de que essa interpretação pode ser melhorada, tornar-se mais sustentada, construir-se a partir de informações mais amplas, ser perspectivada a partir de vários ângulos de análise. Com o Aconselhamento Filosófico, a pessoa pode tornar-se mais capaz de estruturar a sua visão da vida em termos mais rigorosos, consistentes e coerentes.

 

O contacto com outras formas de pensar os problemas pode também revelar-se muito benéfico, não só porque ajuda a perceber que cada problema pode ser visto a partir de várias perspectivas, mas também porque permite aceder a perspectivas mais informadas e sustentadas acerca do mesmo problema que afecta a pessoa ou de problemas muito parecidos. Além disso, é muito usual que quem sofre tenda a pensar que está sozinho no mundo e que mais ninguém pode compreender aquilo por que está a passar. A abordagem filosófica revela que muitos dos problemas pessoais são partilhados por inúmeras pessoas que dedicaram grande parte das suas vidas e talento a investigá-los. Com a Filosofia torna-se possível um certo “distanciamento” em relação aos problemas que nos afectam, o que permite uma maior “frieza” e tranquilidade na abordagem dos mesmos. Pensar de “cabeça fria” pode trazer grandes benefícios.

 

Ao realizar trabalho filosófico, cada pessoa vai adquirindo novas competências ligadas à capacidade de pensar criticamente, por exemplo, ao nível dos instrumentos lógicos. Além disso, vai-se exercitando a capacidade de escuta e de auto-escuta, de diálogo e de abertura à diferença. Assim, para além dos benefícios mais imediatos, a Filosofia pode ter um papel “preventivo”, já que as capacidades desenvolvidas pelo filosofar poderão ser positivamente utilizadas no futuro.

 

3. O Aconselhamento Filosófico é uma alternativa à Psicologia e à Psiquiatria?

 

Há quem defenda esta ideia, mas é muito difícil sustentá-la convincentemente. A Psicologia e a Psiquiatria têm contribuído muitíssimo para a melhoria da qualidade de vida de inúmeras pessoas. Seria muito injusto defender o contrário e apresentar o Aconselhamento Filosófico como alternativa a estas duas áreas.

 

O que se pode afirmar é que, tal como há casos em que as pessoas beneficiam com estas áreas, há outros em que isso não parece acontecer. Da mesma forma, há problemas que não podem ser “tratados” pelo Aconselhamento Filosófico e outros em que é vantajosa esta abordagem. De modo nenhum a Filosofia se poderá substituir a qualquer destas áreas. Mas, de igual modo, estas áreas não podem substituir-se à Filosofia.

 

Em vez de falar de alternativa, seria mais correcto falar de complementaridade: nos casos em que uma destas três áreas não pode ser útil, é possível que uma das outras duas o sejam. Além disso, é cada vez mais comum a abordagem multidisciplinar, pelo que a oferta de serviços que englobam o trabalho das três áreas é cada vez mais procurada. É por isso que começam a surgir equipas de trabalho que integram psiquiatras, psicólogos e filósofos, a par de outras áreas igualmente reconhecidas como idóneas.

 

4. Quais as habilitações do Conselheiro Filosófico?

 

Por enquanto, no nosso País, nada está regulamentado nessa matéria, por isso é preciso ter algum cuidado na escolha do Conselheiro. O melhor será procurar alguém com formação superior ou pós-graduada em Filosofia e, de preferência, com algum tipo de certificação na área do Aconselhamento Filosófico. Em Portugal, a associação que se tem dedicado a formação nessa área é a APAEF – Associação Portuguesa de Aconselhamento Ético e Filosófico. Pode consultar-se (clicar aqui) uma lista dos conselheiros filosóficos certificados por esta associação. Evidentemente, como em qualquer outra actividade, há bons e maus profissionais e nem sempre a certificação garante a qualidade do serviço. Assim sendo, tal como quando se vai ao médico, compete à pessoa que procura o serviço fazer a sua própria avaliação do mesmo.

 

 

5. Onde é possível encontrar os serviços de Aconselhamento Filosófico?

 

Em grande parte das maiores cidades europeias, como também nos EUA, em Israel ou no Brasil, são cada vez mais comuns os consultórios de Aconselhamento Filosófico privado. Mas também já se pratica este tipo de aconselhamento em algumas empresas e instituições, bem como em escolas. Em Portugal, este serviço é ainda muito jovem, mas já vai havendo alguma oferta. Na página da APAEF existem alguns links para consultórios e instituições que praticam, formam e divulgam na área do Aconselhamento Filosófico. Neste blog (VIA FILOSOFIA) há um link para uma instituição da Figueira da Foz que anuncia, a partir de Janeiro do próximo ano, consultas de Filosofia (ver Tubo d’Ensaio).

 

 

6. Qual a duração das consultas e do tratamento Filosófico?

 

Cada consulta demora cerca de 50 minutos, dependendo do método do conselheiro. Quanto à duração do “tratamento” (no sentido em que se “trata” uma determinada questão ou problema – e não em sentido clínico), depende dos casos. Quem decide quando é que já não vale a pena continuar com as consultas é o consultante e não o conselheiro. Assim, há quem decida parar logo ao fim da primeira consulta, há quem se sinta preparado para deixar de ir às consultas ao fim de algumas semanas, e há quem continue a procurar o conselheiro durante alguns anos. Há também pessoas que tornam a consultar o filósofo sempre que sentem que podem beneficiar deste tipo de abordagem.

 

7. É preciso estudar Filosofia e ler obras filosóficas para usufruir do Aconselhamento Filosófico?

 

Pode ser, evidentemente, muito vantajoso para a pessoa que procura ajuda filosófica aprofundar os seus conhecimentos de História da Filosofia e ler algumas obras de Filósofos. Mas isso não é obrigatório.

 

Mais do que conhecer as ideias dos filósofos, importa que a pessoa pense por si mesma e desenvolva a capacidade de filosofar autonomamente. Isso pode ser feito através do diálogo filosófico, da leitura e discussão de pequenos excertos (de filosofia mas não só – poesia, romance, artigos de jornal, definições de dicionários, etc.), através da interpretação de imagens (quadros de grandes pintores, desenhos, bandas desenhadas, etc.) ou mesmo pela audição e comentário a peças musicais. A realização de pequenos exercícios (dentro e fora da consulta) também pode ser proposta pelo conselheiro.

 

 

8. A consulta de Aconselhamento Filosófico é uma espécie de aula de Filosofia?

 

Não. Numa aula de Filosofia há um programa que tem que ser cumprido e que não foi totalmente definido pelo professor e ainda menos pelo o aluno. Além disso, o aluno sabe que será avaliado segundo determinados critérios que considerarão positiva ou negativa a sua prestação. Por outro lado, numa aula de Filosofia o aluno é muitas vezes obrigado a um esforço que não é voluntário (no Secundário, por exemplo, a disciplina de Filosofia é obrigatória).

 

Numa sessão de Aconselhamento Filosófico quem decide o “programa” é o consultante. O conselheiro apenas orientará a pessoa a seguir o seu próprio caminho, não lhe impondo conteúdos nem objectivos que ela mesma não deseje. Quanto à “avaliação”, ela resulta apenas do grau de satisfação do consultante, no que toca à relação entre as suas expectativas e os resultados a que se sente chegar. Todo o esforço requerido nas consultas de Aconselhamento Filosófico é voluntário e resulta dos objectivos que, para si mesmo, tomou o consultante.

 

Numa sessão de Aconselhamento Filosófico não é, além disso, costume que o conselheiro fale a maior parte do tempo. Mais do que falar, a sua missão é escutar…

 

9. Qual o preço de uma consulta de Aconselhamento Filosófico?

 

Em geral, não anda acima de uma consulta de Psicologia ou Psiquiatria.


10. Como posso fazer as minhas próprias perguntas sobre Aconselhamento Filosófico?

Poderá recorrer ao espaço "comentários", no final desta mensagem. Se souber, responderei; se não souber, procurarei quem saiba; se não encontrar quem saiba, pedirei desculpa e abster-me-ei de inventar.

 

Fonte: http://viafilosofia.blogspot.com/2007/11/perguntas-frequentes-sobre-as-consultas.html

Actualizado em ( Terça, 16 Setembro 2008 15:49 )